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Gears of War 2 é ação na sua perfeição. O perigo desta afirmação nem é o conteúdo, mas sim o fato do próprio jogo saber disso, instigando o jogador a tentar encontrar erros na sua totalidade. Não estamos sugerindo que não existem irregularidades, porém, na grande maioria, para encontrá-las, é necessário procurar defeitos nos cantos mais obscuros do título.

Costuma-se ver um erro, um problema, quando a sequência de um blockbuster não é capaz de se distanciar do original. Mas é seguro dizer que a Epic não foi radical no desenvolvimento de Gears of War 2, tendo aproveitado tudo aquilo que funcionou - e que continua funcionando, vale destacar - no primeiro. Isto, diferente daquilo que muitos podem pensar, não prejudica seu valor. A essência de Gears of War, aquela jogabilidade característica e estilo inconfundível, se mantêm. Mas o que é mais interessante: Gears of War 2 é notável ao ponto de fazer o jogador olhar para o primeiro e não conseguir jogá-lo nunca mais.

De certo ponto de vista, Gears of War pode ser considerado uma tech demo, um gênero de versão incompleta de um produto muito maior e mais refinado. Se você tem esta mesma impressão do shooter, então se prepare para ficar surpreendido com esta sequência. Veja por que.

Antes de começar a falar da história de Gears of War 2, surpreendentemente ou não, o título possui de fato uma teia de acontecimentos apelativa, que prende a atenção do jogador. Não que precise disso, pois o shooter continuaria se destacando dos seus concorrentes se possuísse uma trama semelhante à do primeiro título. O que realmente vale é que temos nas mãos uma história mais trabalhada e, curiosamente, dramática.

De volta na pela de personagem principal está o agora mais carismático Marcus Fenix, e nas posições secundárias outros membros do Delta Squad, como Dominic Santiago (cuja relação com a esposa, Maria Santiago, é um dos pontos chave de toda a história), Augustus Cole ou "The Cole Train", Damon Baird, e, também, algumas figuras novas, como Tai Kaliso, um guerreiro espiritual, Richard Prescott, o líder do grupo COG e Skorge, o antagonista de Gears of War 2.

A aventura começa aproximadamente seis meses depois do final de Gears of War, ou seja, depois da Lightmass Bomb ter sido detonada. Apesar dos esforços da humanidade, os Locust continuam decididos em eliminar todos aqueles que se opõem à sua vontade, destruindo cidades inteiras. Além de ter de lidar com esta iniciativa pouco amistosa, os humanos enfrentam um surto de Rust Lung, uma doença fatal que está sugando a vida da população. Enfim, muita coisa vai acontecer antes de algo de bom aparecer.

Mesmo com a sua dose dramática, a história de Gears of War 2, além de conseguir levantar mais perguntas do que necessariamente respondê-las, não é o prato principal desta sequência, uma adição que ajuda a embelezar a experiência de jogo, sem mexer muito com ela. Este jogo é tão bom quanto a ação que proporciona, por isso vamos falar do que realmente interessa.

Apesar de continuar sendo um shooter altamente tático, Gears of War 2 é acessível a todos, o que é interessante. Grande parte da jogabilidade é governada por um só botão, ou seja, o botão A, através do qual se dá uso a todo o sistema de cobertura, aos mergulhos em profundidade e à velocidade. Estas funções já estavam presentes no primeiro Gears of War, porém continua sendo impressionante poder fazer tantas e diferentes coisas com um só botão, dependendo da forma como é pressionando. Na realidade, apesar das funcionalidades do botão A se destacarem, todas as ações foram bem distribuídas pelo controle do Xbox 360, sendo muito fácil dominar o jogo.

Ao contrário do que acontece com a maioria dos shooters no mercado, a máxima de Gears of War 2 é "proteja-se ou morra ", literalmente. Sendo assim, é necessário não só de um sistema de cobertura de qualidade, mas também de cenários desenhados de forma minuciosa, levando em conta o fato de ser preciso que os espaços de jogo possuam vários pontos sólidos, com os quais o jogador pode se proteger de ataques inimigos. Verifica-se que ambas estas ‘necessidades' se encontram no título, por isso o jogador nada tem a temer. Mas, como todos sabem, usar só cobertura não mata nada e Gears of War 2 é, antes de tudo, um jogo de ação.

As mecânicas relacionadas com o tiro funcionam de forma natural e intuitiva. O método é ideal, operando por meio de algumas combinações sequenciais do controle. Sem grandes surpresas, o gatilho esquerdo é usado para apontar, o que faz com que a câmera se aproxime do ombro do personagem e o gatilho direito para disparar/lançar uma granada. Só que o negócio não é só atirar, é preciso recarregar as armas. Provando que a Epic aproveitou as funcionalidades do original, eis que em Gears of War 2 está de volta o “Active Reload”, onde é possível reduzir o tempo de espera ao recarregar e, também, aumentar o poder das balas.

Como acontece em qualquer sequência de um grande jogo de ação, existem novas ferramentas para dar continuidade à matança, como o lança-chamas (que falha em não ter um grande alcance, apesar de ser útil na frente de um grupo de inimigos), a chain gun (uma arma que impede o jogador de correr, mas que possui um poder de fogo bastante alto, podendo mesmo ser colocada por cima de um ponto de cobertura para maior proteção) e o morteiro (que simplesmente, cria uma chuva de explosivos), para não falar dos novos modelos de granada, como a Poison Grenade que, após a explosão, emite um gás tóxico.

Mas, veja bem, não é só de tiros que vive a ação de Gears of War 2. Com o botão B, por exemplo, é possível efetuar ataques físicos devastadores com grande parte das armas, sendo também através dele que é acionada o poder da moto-serra da Lancer, o jogador vence as “Chainsaw Battles” - que ocorrem quando duas moto-serras colidem ou em determinados confrontos - e colam granadas nos oponentes tal como nas paredes, para servirem de minas. Além disto, existem mais modos de execuções e opções de interação com os inimigos feridos.

Dependendo da arma que usar e da parte do corpo que atingir, os Locust podem, em vez de morrer, ser derrubados, arrastando-se pelo chão à procura de um parceiros que consiga restaurar a sua energia. Para evitar isto, dirija-se até ele e use qualquer um dos botões do controle indicado na tela. Três deles permitem acabar com o sofrimento do adversário, sendo que com o botão A é possível usá-lo como escudo vivo. Quando enjoar, quebre o seu pescoço e se delicie com o efeito sonoro.

Fora tudo isso, e ainda comparando-o, mais uma vez, com o seu antecessor, existem mais veículos e mais seções onde podem ser usados. No original, a fase que obrigava os jogadores a conduzir um veículo, se destacou como um dos pontos mais fracos de todo o jogo. E infelizmente, o mesmo acontece na sequência. Montar um Reaver e ‘conduzir' um Brumak, na teoria, é promissor. Na prática, a coisa é completamente diferente. Não existe uma forma simples de saber porque é que isto acontece, mas pouco será perdido se a Epic decidir deixar esta opção de fora do próximo - e inevitável - jogo da série.

Toda a naturalidade, intuitividade e simplicidade dos controles pouco valeria se os inimigos não fossem dotados de alguma inteligência. Felizmente, os membros da Locust Horde, sejam Drones, Boomers, Maulers (um novo tipo de soldado que usa um grande escudo para se proteger), Theron Guards, Bloodmounts, Wretches, Tickers (uma criatura bem suicida, com uma bomba nas costas) ou outros, têm todas as condições para subjugar o jogador, adaptando-se à situação em que se encontram (usando cobertura, agrupando-se, perseguindo, etc.), dependendo, claro, do nível de dificuldade que escolher.

Já que estamos falando de dificuldade, vale destacar que o "Hardcore" é, de longe, o mais adequado para todos aqueles que têm alguma perícia com o gênero shooter. Isto acontece graças a um equilíbrio que pode ser verificado durante a aventura. Nas últimas 2, 3 horas de jogo aparece um acréscimo significativo na dificuldade, porém, de certa forma, isso é justificável.

Sem grandes desenvolvimentos, Gears of War 2 é desafiante sem ser injusto, o que faz com que a gratificação esteja garantida. Se procura um título que tenta deixá-lo louco para só depois ser recompensado com aquele sentimento de vitória e missão cumprida, aqui está ele.

Multiplayer ainda mais forte

É certo dizer que Gears of War 2 atinge o seu auge quando jogado com outras pessoas. O mais importante é que o modo multiplayer da série está de fato mais forte do que nunca. A campanha cooperativa, por exemplo, possui níveis de dificuldade independentes para cada um dos dois jogadores, permitindo que escolham o modo que mais lhes convém, levando em conta suas capacidades.

Quem não está disposto em cooperar, pode competir com jogadores ao redor do mundo através de vários tipos de jogo diferentes. Warzone, Execution, Assassination e Annex estão de volta, junto com o King of the Hill, que estreou na versão para PC de Gears of War. Se procura novidades e quer provar ser os mais habilidoso no uso da moto-serra, opte pelos modos Submission, Wingman e Guardian.

Submission é, na sua essência, um gênero de Capture the Flag. Porém, em vez de ter de carregar uma bandeira, o jogador se vê obrigado a derrubar um NPC Stranded (devidamente armado com uma metralhadora), agarrá-lo como se fosse um escudo humano e transportá-lo para um ponto do mapa, que é indicado por uma seta, no topo da tela. Em Wingman, os jogadores são divididos em equipes de dois, sendo necessário matar o maior número de jogadores dos grupos inimigos, a curto alcance, através de um tiro mortal ou de uma execução. Por último, no modo Guardian, é preciso manter o líder do seu grupo vivo para que todos os outros jogadores da equipe possam renascer sem problemas e matar o outro líder.

Para terminar a questão do modo multiplayer, não podemos deixar de mencionar o Horde, um dos modos mais promovidos de Gears of War 2. A inclusão desta opção é de fato uma das razões pelas quais o modo multiplayer está mais forte, permitindo que cinco jogadores unam esforços para derrotar ondas e ondas de tropas inimigas, controladas pela inteligência artificial. O modo está dividido por rounds, sendo que à medida que vão progredindo a dificuldade vai aumentado. O importante - e aquilo que deve ter sempre em mente neste modo - é que um jogador da equipe permaneça vivo após a conclusão de um round, pois isso fará com que todo o grupo volte no próximo.

Graficamente, Gears of War 2 é como uma pintura artística no seu apogeu. As modificações impostas no Unreal Engine 3 são mais que perceptíveis, oferecendo ao título uma apresentação visual de fazer cair o queixo. Pouco importa para onde olha, todo o pacote mostra-se notável. Aliás, levando em conta alguns dos momentos cinemáticos, pode-se afirmar que a Epic tem toda a noção que concebeu um produto absolutamente estonteante tecnicamente - e nós nada podemos fazer senão apreciar a sua beleza.

Os jogos de luz e sombras são extremamente realistas e, provavelmente, o ponto mais incrível de toda a apresentação visual. Da mesma forma, as fortes chuvas que ocorrem em algumas áreas do título reforçam ainda mais a sua qualidade neste campo. Os modelos dos personagens foram eximiamente efetuados, possuindo armas e armaduras super detalhadas, expressões faciais merecedoras de crédito e um estilo incomparável. Já as animações mostram-se repletas de naturalidade - uma naturalidade rebuscada, que se enquadra perfeitamente na imagem assustadora e, por vezes, exagerada dos personagens.

Outras agradáveis surpresas visuais, como os jorros de sangue que são lançados na tela, a violência avassaladora das moto-serras quando entram em contato com a carne dos inimigos e a destruição que as armas podem originar, tanto nos personagens como no cenário, são pura e simplesmente incríveis. Estes últimos, por exemplo, têm um poder gráfico muito mais orgânico e variado em comparação com o título anterior – diríamos que a Epic conseguiu produzir algumas das texturas ‘nojentas' mais bonitas de todos os tempos nos videogames.

Mas uma crítica que podemos fazer a Gears of War 2 (tal como no original): "Tem pouca cor." Ficamos satisfeitos em saber que existe de fato mais cor nesta sequência (mais do que um novo tom cinzento), mas engana-se se pensa que será presenteado com um arco-íris de cores brilhantes. Gears of War 2 continua sendo escuro, pois todo o resto que não pode ser perceptível visualmente é obscuro, dramático e violento.

Enfim, Gears of War tem tudo a ver com estilo. Os jogadores irão se sentir como verdadeiras crianças que, com um olhar muito particular, encaram esta continuação como um presente. Ao mesmo tempo, ficarão satisfeitos em saber que são adultos e que conseguem apreciar a experiência pelo o que ela é - ação na sua perfeição.

Todo o trabalho sonoro também é genial, especialmente os pequenos efeitos, sem saber ao certo de onde vêm. A relação que existe entre aquilo que percebemos através da audição e da visão está enraizada em Gears of War 2, enaltecendo a sua qualidade. O poder sonoro das armas é arrebatador. De fato, o aspecto do arsenal e o seu impacto impõem respeito, mas visto que o som das balas, granadas e, claro, da moto-serra, é tão realista, surge uma união respeitável e minuciosa de todos os elementos.

O desempenho dos atores que emprestaram suas vozes aos personagens do jogo é outro ponto positivo. John DiMaggio volta a dar vida a Marcus Fenix de uma forma áspera e crua, algo que continua sendo o ideal para o protagonista. Já o seu parceiro, Dominic Santiago, é mais uma vez interpretado por Carlos Ferro. Os diálogos, no geral, fluem naturalmente, apesar de palavras como "nice" e "sweet" persistirem. Algumas cenas mais dramáticas são um pouco forçadas, mas nada que atrapalhe a experiência.

Gears of War 2 tem tanto para ser falado que é difícil escrever sobre ele. Por um lado, é como se nada tivesse mudado em relação ao primeiro jogo, por outro, ao terminar este capítulo, percebemos que algo está de fato diferente - algo que não é facilmente identificável, mas que se percebem quando olhamos para a experiência como uma só. Sim, está mais violento, os gráficos são superiores, a história tem o seu charme e o multiplayer foi melhorado. Mas não é aí. O fundamental é que Gears of War 2 é um dos melhores jogos do ano e se por acaso tiver o menor interesse pelo gênero e não é dono de um Xbox 360, então pense seriamente em comprá-lo.

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