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A série Call of Duty alcançou um status invejável no gênero dos FPS. A aposta na série é tão grande que a Activision colocou dois estúdios em produções intercaladas, garantindo que cada um tenha dois anos para concluir um novo episódio - os criadores originais da Infinity Ward e a experiente Treyarch.

Call of Duty 4 foi um marco na série, um dos melhores jogos do ano passado. Como seria possível que a série voltasse à Segunda Guerra mundial, depois da ação fantástica num ambiente contemporâneo? Felizmente, World at War pega os melhores elementos de Call of Duty 4 e coloca-os num ambiente que tão bem os jogadores conhecem.

É impossível pegar World at War e não sentir a mesma solidez do título anterior. O jogo transpira Call of Duty 4: Modern Warfare. A Treyarch pegou a excelente engine do ano passado e garantiu uma solidez impressionante. Garantiu ainda algo provavelmente inédito na série: a introdução de mais violência, com sequências pesadas, cheias de sangue.

A Treyarch não se preocupou apenas em gerenciar o sucesso do ano passado, ou seja, oferecer um "mesmo" jogo com nova roupagem, como também introduziu idéias muito interessantes. A principal delas um modo cooperativo para até quatro jogadores online e claro, o habitual modo multiplayer com novos mapas.

Como é habitual na série, a história segue diversas frentes de batalha. Neste quinto capítulo não é diferente, mas será apenas com duas campanhas. Por um lado o jogador controla um soldado americano numa campanha no Pacífico. Na outra frente da batalha o jogador é um membro do exército vermelho da União Soviética, concentrando-se acima de tudo na conquista de Berlim.

A campanha não é longa, mas é muito intensa. Aliás, a sua duração não ultrapassa as 6/7 horas no modo normal. No entanto, prepare-se para penar no modo mais difícil, pois World at War é dos mais duros e temíveis FPS que já foram lançados. Esta dificuldade extrema está prevista para desafiar o modo cooperativo, onde quatro jogadores não terão problemas em ultrapassar. A grande falha é que apesar das missões serem as mesmas da campanha, elas são dispostas como um modo à parte. Ou seja, para ter acesso às sequências animadas e a todos os elementos da campanha, terá de jogar sozinho, até porque algumas missões não fazem nenhum sentido com vários jogadores.

Quem jogou intensamente Modern Warfare nunca irá se esquecer de uma missão em particular: "All Ghillied Up", que coloca o jogador na pele de um sniper em Chernobyl. Em World at War existe uma missão equivalente, como que uma homenagem chamada "Vendetta", numa interação cheia de scripts com um personagem que o acompanha, o sargento Reznov.

Mas não pense que as missões deste novo título não têm o seu próprio mérito. Aliás, temos nas mãos o jogo mais cru e escuro de toda a série. Não faltarão os habituais companheiros de guerra, que continuam eficientes no combate, poupando muito trabalho na frente de ataque, ao mesmo tempo que ajudam no ambiente realista. Desta forma, o ambiente ganha destaque por conseguir deixar o jogador desorientados em muitas situações, graças aos constantes bombardeios, os conflitos em diversas dimensões e tanques espalhando o caos. A imagem é crua, com muito granulado em algumas situações, focando os tons de preto e branco. Da mesma forma estão presentes cenários super detalhados, profundos e cheios de elementos.

Existem missões dedicadas ao controle de tanques, num campo de batalha mais aberto, outra em que o jogador é colocado num avião, nos controles das suas armas estacionárias. Atacar lanchas de guerra ou os famosos aviões zero dos kamikazes japoneses consegue transmitir uma excelente sensação do ambiente frenético.

Graficamente é um passo a frente em relação ao jogo anterior. Esqueça que está diante do batido cenário da Segunda Guerra, pois as paisagens são belíssimas. A atenção ao detalhe é impressionante. É claro que existem diversos scripts, mas isso sempre foi a alma da série, mesmo que o jogador tenha que enfrentar sequências de respawn infinito de inimigos, até passar para o ponto seguinte. Mas é um presente para os olhos toda a poeira, explosões e fumaça geradas pelo caos das batalhas. Continuam presentes diversos diálogos entre a ação, tornando a experiência ainda mais cinematográfica.

A ação continua sólida como nunca, com uma excelente sensação de disparo das armas, que por sinal estão muito bem modeladas. O uso do lança-chamas não é tão real como deveria, mas é uma novidade interessante na série.

A qualidade sonora está igual a visual. Os personagens principais ganham vida através de renomados atores, como Gary Oldman ou Kiefer Sutherland num excelente trabalho que inclui ainda as do narrador das respectivas campanhas. Mas o mérito vai essencialmente para os efeitos sonoros das armas, das explosões, enfim, de todo o caos possível numa guerra como esta, tudo bem acompanhado por uma trilha sonora suave.

O estilo de jogo persistente ganha aqui maiores proporções. Com a experiência adquirida e a subida nas patentes o jogador irá desbloquear não só classes e armas, como também novos modos de jogo. O sistema é semelhante ao anterior, atingindo certo nível poderá caracterizar o personagem, no que diz respeito ao tipo de arma e equipamento. Interessante o fato de alguns modos de jogo estar inicialmente bloqueados, como o Capture the Flag ou o War. Existe ainda uma separação de jogadores entre os casuais e hardcore, sendo que nesta segunda opção o confronto será entre melhores. Tudo isto terá obviamente de ser desbloqueado gradualmente.

Os mapas estão divididos entre os mais abertos, permitindo conflitos com tanques e outros mais fechados. Vale destacar a possibilidade de utilizar certos bônus a seu favor quando completar algumas proezas, como matar diversos inimigos de uma vez só, por exemplo. Pode, desta forma, chamar suporte aéreo, ou mesmo atacar inimigos com cães (para isso é preciso matar sete inimigos sem morrer), uma das diversões do modo multiplayer. No entanto, quem jogou o título anterior estará à vontade para os diversos modos de jogo. Dos modos anteriores conte com dois, o Capture the Flag e o War, formato semelhante ao Conquest de Battlefield, onde é preciso capturar pontos no mapa.

Uma das surpresas da Treyarch para este jogo chama-se Nacht der Untoten, que em português significa a "A Noite dos Mortos-vivos". É um dos extras desbloqueados no final da campanha e trata-se de um modo de sobrevivência cooperativo para até quatro jogadores, muito semelhante ao Horde de Gears of War 2. Neste formato de jogo, o jogador é colocado numa cabana. Em diversos momentos irão aparecer zumbis por todos os lados e o objetivo, claro, é mantê-los do lado de fora. As janelas e aberturas estão trancadas por tábuas que rapidamente são esfareladas, mas que podem ser reconstruídas através do dinheiro que o jogador vai juntando. Todo o dano que causar aos mortos-vivos concede créditos que podem ser gastos para adquirir munições e armas dentro da casa. A casa é composta por três seções, mas o seu acesso tem um preço alto a pagar, mas é uma forma de garantir que quando invadida o jogador ainda tem para onde correr. Se as primeiras levas de zumbis são fáceis, nas seguintes é necessário ter grande coordenação e ajuda dos jogadores, para cobrirem todas as entradas. É um excelente e viciante modo, sem dúvida!

Call of Duty: World at War não inventa nada, mas consegue atender as expectativas. A Treyarch foi inteligente em capturar todos os detalhes que fizeram os fãs delirar e adaptaram ao batido cenário da Segunda Guerra mundial. A campanha é pequena, mas intensa, o formato multiplayer continua ótimo e a adição de todo o suporte cooperativo permite vislumbrar o futuro não só para a série, mas para os títulos em geral. Acima de tudo, é um FPS tão sólido como o anterior, com missões interessantes e um envolvimento fantástico que obriga os jogadores a devorá-lo do princípio ao fim.

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