
The Elder Scrolls IV, ou simplesmente Oblivion, é tudo o que se pode sonhar de um bom RPG/Ação. A primeira pergunta que o jogador deve fazer antes de começar a jogar é: quem eu posso ser no jogo? A resposta é simples, qualquer um! Essa é a grande “mágica” desse game que recebeu diversos prêmios e foi desenvolvido pela Bethesda Softworks para PC, XBox 360 e PlayStation 3.
A liberdade no game vem logo na montagem do herói. Personagens prontos? De jeito nenhum. Escolha uma das raças e abuse da sua imaginação. Você pode modificar detalhes como cor de cabelos e da pele, sexo, tamanho do corpo, posição de olhos, boca e nariz, idade, corpulência e várias outras coisas. Além disso, também é possível escolher o ‘pré-alinhamento’ do personagem (que pode ser melhor moldado ao longo da história) e a sua constelação guardiã (que irá lhe conferir aptidões especiais), por exemplo.
Depois do personagem pronto, o que fazer? Se você gosta de ficar passeando, explorando cavernas, fortes antigos e ruínas élficas, fique à vontade. O que mais existe pelo caminho - além de monstros, animais selvagens e ladrões - são lugares para serem explorados. Lembro-me, que durante o jogo, algumas das missões mais terríveis que joguei envolviam cavernas, fortes a até grutas embaixo d’água.
Além do ambiente externo, ou seja, fora da ‘proteção’ dos condados, que já é perigoso o suficiente, as dungeons são uma excelente fonte de riquezas, armas e armaduras que, se você for comprar de algum comerciante, ele vai te cobrar uma fortuna! Mas por que será? É muito simples.
Os piores monstros estão dentro dessas cavernas. Trolls, Ogros e Goblins infestam as masmorras e grutas (Se quiser enfrentar um desses, reze para estar bem equipado e com muitas poções de cura). Fantasmas, esqueletos e mortos-vivos estão estrategicamente posicionados para acabar com quem ousar profanar o santuário dos antigos elfos (as armadilhas dentro dessas ruínas são um terror à parte também). Já nos fortes você sentirá, literalmente, a agradável hospitalidade de ladrões, assassinos e uns fanáticos religiosos, das mais variadas seitas daédricas (a maioria são necromancers), que antes de perguntarem o seu nome vão te enfiar uma adaga no peito!
Só para lembrar, não é uma regra encontrar apenas esses inimigos nas cavernas. Estou falando de uma forma geral. Com sorte, você pode encontrar todos eles juntos em um MESMO lugar. Olha que divertido! Muito raramente tem alguma boa alma (geralmente perdida) que é louca o suficiente para te ajudar enquanto o mundo quer te destruir, mas, sinceramente, se você quer realmente alcançar níveis mais altos, sugiro investir em expedições como esta. Lembre-se que você pode enriquecer vendendo os itens que coletar desses lugares.
Gosta de travar batalhas de gladiadores? Então dê uma passada na Arena da Cidade Imperial e desafie os melhores guerreiros de toda Tamriel para uma batalha até a morte por fama e por dinheiro. Se for o grande campeão poderá lutar sempre que quiser, e tiver coragem, contra as mais terríveis criaturas do reino. Se quiser ser apenas um espectador, pode tentar a sorte e apostar em um dos lutadores. Pode-se fazer fortunas da noite pro dia ou virar um mendigo também.
No entanto, se você é o tipo que prefere completar a expedição principal e ter a sensação do “dever cumprido”, isso também pode ser feito. Só não se esqueça que Oblivion é um jogo sem fim. Isso mesmo, depois de detonar a missão principal, se quiser (e eu recomendo), você ainda pode explorar todo o reino de Tamriel. Reserve boas horas de sua vida para essa empreitada porque o mapa é enorme! E olha que eu nem falei das expansões ainda.
Acabou? Claro que não! Em Oblivion, você também tem a possibilidade de se associar a quatro guildas: dos lutadores, dos mágicos, dos ladrões e dos assassinos. Não é proibido participar das quatro ao mesmo tempo, por exemplo. Isso vai depender do tipo de alinhamento que você pretende criar para o seu personagem. Acho que é bem interessante participar de todas elas - ao mesmo tempo ou separadamente - até porque, não é simplesmente bater na porta da respectiva guilda e se alistar.
Você passará por várias missões, com seus devidos graus de dificuldade (algumas são desesperadoras!), para provar o seu valor e ser aceito, ou não. As vantagens de sofrer tanto, e ser aceito - é claro, são algumas “regalias” que se ganha do tipo: ter à disposição companheiros de jornada (que lutarão e morrerão por você), armas e armaduras mais poderosas, informantes, e scrolls poderosíssimos para conjurar novas magias.
E, claro, todos em Tamriel parecem precisar de um favorzinho. Além da missão principal, da missão das guildas e do que se pode encontrar explorando as cavernas, você ainda pode se aventurar nas missões terciárias. Converse com as pessoas (as que não querem te matar, obviamente), descubra o que está acontecendo na vida delas. Talvez alguém precise da sua ajuda, ou conhece alguém que precise, ou ainda você pode conseguir uma valiosa informação para alguma missão - informação esta gratuita ou conseguida mediante suborno.
Um outro detalhe bem interessante: como até mesmo os grandes heróis precisam descansar, em Oblivion você pode ter casas. Procure se informar pelos condados sobre casas à venda, se puder pagar por elas (os preços variam de acordo com o condado e o tipo de moradia) é uma boa pedida. Além de ser um refúgio um pouco mais seguro que dormir debaixo de uma árvore, você pode enfeitar o seu doce lar com objetos coletados e comprados (ou roubados) ao longo da sua jornada.
Agora você pergunta: deixar as minhas riquezas em casa? E se me roubarem? Bom, jogo Oblivion há bastante tempo e isso nunca me aconteceu. Aliás, é bom você ter mesmo uma casa, já que precisará de algum tipo de depósito para suas coisas, pois se estiver com mais carga que seu personagem é capaz de carregar, você não vai sair do lugar e vai ter que largar alguns objetos por aí.
Falando um pouquinho da missão principal posso dizer que é viciante. Tentando resumir a main quest, trata-se de salvar o reino de Tamriel do ataque dos demônios daedra que escaparam pelos portais da perdição, ou de Oblivion, como preferir. Com o misterioso assassinado do imperador Uriel Septim VII, o trono permanece vazio. Você, por alguma razão desconhecida, está preso na prisão da Cidade Imperial, capital de Cyrodiil, uma das províncias de Tamriel.
Aí vem um clichê básico (todo jogo de RPG tem um), a passagem secreta que o imperador irá usar para tentar fugir da emboscada dos assassinos (não darei detalhes sobre eles porque não sou spoiler) fica justamente na sua cela! Mais que sorte não? A partir daí uma situação leva a outra e você acaba sendo responsável por encontrar o herdeiro do imperador, que pra variar está perdido no mundo, e lhe entregar o Amuleto dos Reis - símbolo da dinastia dos Septim.
Onde os portais de Oblivion entram nessa história? O demônio por trás da abertura dos mesmos está tentando destruir o império e torná-lo parte de seus domínios. Sua outra missão (adivinha?) é fechar esses portais e tentar atrasar os planos do inimigo até você conseguir achar o herdeiro e ele te dizer como exterminar de vez com o ataque de Oblivion. Esses portais são mesmo muito divertidos, vou até reservar as próximas linhas só para eles.
Gosta de labirintos? Espero que sim, porque o mundo dentro de Oblivion é o retrato do caos. É a verdadeira visão do inferno. O chão queima seus pés, os rios, mares e lagos são feitos de lava, há monstros poderosíssimos (muitos deles atacam em bandos) e o ar é tão carregado que faz seu personagem gastar stamina mais rápido. Até algumas plantas te atacam ou lançam um gás venenoso quando você passa! Dentro desse mundo, algo muito notório são imensas torres, muitas delas interligadas por pontes, que você TEM que entrar e explorar, já que uma vez dentro de Oblivion a única forma de sair é encontrando a pedra mágica que mantém o portal aberto. E onde ela fica? Dentro de uma das torres infestadas de inimigos. Ou seja, antes de se aventurar em um desses portais, compre bastantes poções, já que no inferno não tem comerciantes e os itens de cura são raríssimos. Acho que alguém lá dentro não quer que você viva muito. Não se esqueça de carregar o que puder. As armas e armaduras daédricas são uma das melhores do jogo.
A aventura de Oblivion vai muito além da primeira edição do jogo. Desde o seu lançamento, o game teve muitas pequenas expansões (plug-ins) que podem ser baixadas do site oficial. Os plug-ins oficiais incluem novas quests, casas para o jogador morar, armaduras para cavalos, novas magias, dentre outros. Já a expansão comercial do jogo, chamada The Elder Scrolls IV – Shivering Isles, pode ser encontrada nas lojas e é praticamente um novo mundo (tão vasto quanto) dentro do primeiro game.
A parte gráfica e os sons do jogo são incríveis. A grama se mexe quando você passa e de acordo com a intensidade do vento. As estrelas brilham no céu, você pode ver o seu reflexo na água, a luz do sol entre as folhas, tudo muito poético. A música, épica é claro, envolve o cenário e é apenas interrompida por um eletrizante som de batalha durante as cenas de ação.
Oblivion trabalha com um sistema de inteligência artificial (Radiant A.I.) totalmente desenvolvido pela própria Bethesda. Seu objetivo é dar mais “vida” aos NPCs (personagens não jogáveis), possibilitando uma interatividade maior entre o seu personagem e os habitantes do império. A tecnologia Radiant A.I. dá para todos os NPCs do jogo uma série de “necessidades” (como por exemplo, a fome) que eles precisam atender, criando um ambiente muito mais parecido com a realidade. Dentre outras inovações, o jogo também foi desenvolvido a partir de tecnologias como o sistema gráfico Gamebyro 3D, SpeedTree (usada na vegetação), o sistema físico Havok (que permite a interação entre os personagens e os objetos) e o software Facegen (que permite ao gamer modelar as feições do seu herói).
The Elder Scrolls IV – Oblivion é mesmo um jogo único. Você pode ser quem quiser, viver uma nova vida, enfrentar os mais diferentes desafios e ser reconhecido pelos seus atos (sejam eles bons ou ruins). É um jogo tão vasto que com certeza eu deixei de falar muita coisa. E mesmo se me lembrasse de tudo seria apenas a minha versão da história. No game, cada um pode viver a sua. Enfim, diga adeus a sua vida social, porque Oblivion é viciante.
(Viviane Werneck para Inside Games)
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